domingo, 31 de outubro de 2010
Essa música... só quem já passou por um grande amor pra entender.
A pouco tempo ouvi a voz do único homem que amei.
Sabe aquela tristeza mansa, uma dor pequena e contida.
Mas que não te deixa.
A dor dos braços vazios.
Da boca quieta
Do abraço não dado
Da palavra não dita.
A pouco tempo percebi que essa pessoa poderia não ter mais tempo.
Que vontade de dizer a palavra nunca dita
COMO EU TE AMO....
Já lhe dei meu corpo
Minha alegria
Já estanquei meu sangue
Quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor...
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água...
Já lhe dei meu corpo
Minha alegria
Já estanquei meu sangue
Quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor...
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água
Pode ser a gota d'água
Pode ser a gota d'água....
Chico Buarque.
Clarisse
(...)
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha.
E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer.
(...)
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom-samaritano
Cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe pra mim, não tente
Você não sabe e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar pra casa à noite
(...)
A falta de esperança e o tormento
(...)
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem 14 anos...
Legião Urbana.
Quem puder entender...entenda...
Astronalta de Marmore
A lua inteira agora
É um manto negro
Oh! Oh!
O fim das vozes no meu rádio
Oh! Oh!
São quatro ciclos
No escuro deserto do céu...
Quero um machado
Prá quebrar o gelo
Oh! Oh!
Quero acordar
Do sonho agora mesmo
Oh! Oh!
Quero uma chance
De tentar viver sem dor...
Sempre estar lá
E ver ele voltar
Não era mais o mesmo
Mas estava em seu lugar...
Sempre estar lá
E ver ele voltar
O tolo teme a noite
Como a noite
Vai temer o fogo...
Vou chorar sem medo
Vou lembrar do tempo
De onde eu via o mundo azul...
Hum! Hum! Hum Hum! Hum!...
A trajetória
Escapa o risco nú
Uh! Uh!
As nuvens queimam o céu
Nariz azul
Uh! Uh!
Desculpe estranho
Eu voltei mais puro do céu...
A lua o lado escuro
É sempre igual
Al! Al!
No espaço a solidão
É tão normal
Al! Al!
Desculpe estranho
Eu voltei mais puro do céu...
Sempre estar lá
E ver ele voltar
Não era mais o mesmo
Mas estava em seu lugar...
Sempre estar lá
E ver ele voltar
O tolo teme a noite
Como a noite
Vai temer o fogo...
Vou chorar sem medo
Vou lembrar do tempo
De onde eu via o mundo azul...
Estar lá!
E ver ele voltar
Não era mais o mesmo
Mas estava em seu lugar
Sei que estar lá
E ver ele voltar
O tolo teme a noite
Como a noite
Vai temer o fogo...
Vou chorar sem medo
Vou lembrar do tempo
De onde eu via o mundo azul...
Nenhum de nós.
Essa música sempre mexe sobremaneira comigo.
Quem nunca se sentiu fora de sí, estranho ao mundo, fora de orbita?
As vezes eu gostaria de sumir,não de morrer, simplesmente de não existir.
Essa música muitas vezes traduz minha alma.
Primeiros Erros
Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde estou
Meu destino não é de ninguém
E eu não deixo os meus passos no chão
Se você não entende não vê
Se não me vê não entende
Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende
Se o meu corpo virasse sol
Se a minha mente virasse sol
Mas só chove, chove
Chove, chove
Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria
Mas só chove, chove
Chove, chove
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove
Capital Inicial.
Não procure saber onde estou
Meu destino não é de ninguém
E eu não deixo os meus passos no chão
Se você não entende não vê
Se não me vê não entende
Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende
Se o meu corpo virasse sol
Se a minha mente virasse sol
Mas só chove, chove
Chove, chove
Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria
Mas só chove, chove
Chove, chove
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove
Capital Inicial.
Vienna
Devagar, sua louca criança.
Você é tão ambicioso para uma jovem.
Mas se você é tão esperta, me diga porque continua com tanto medo?
Onde está o fogo? Pra quê a pressa?
É melhor você aproveitar isso antes que você perca
Você tem muito o que fazer e o dia tem tão poucas horas.
Mas você sabe que quando a verdade é contada
você pode conseguir o que quer ou pode apenas ficar velha
Você vai desistir antes mesmo de passar metade do caminho
Quando você perceberá que Vienna espera por você?
Devagar, você está indo bem
Você não pode ser tudo que você quer ser, antes do seu tempo
Embora isso seja tão romântico no limite de hoje a noite, hoje a noite.
Tão ruim, mas é a vida que você segue
Você está tão adiante de si mesmo que esqueceu o que precisa.
Apesar de poder ver quando está errado
Você sabe, nem sempre se pode ver quando se está certo.
Você tem sua paixão, você tem seu orgulho
Mas você não sabe que apenas bobos ficam satisfeitos?
Sonhe, mas não pense que todos os sonhos se realizarão
Quando você perceberá que Vienna espera por você?
Devagar, sua criança louca
Tire o telefone do gancho e desapareça por um instante
Tudo bem, você pode permitir-se perder um dia ou dois
Quando você perceberá? Vienna espera por você.
Mas você sabe que quando a verdade é contada
você pode conseguir o que quer ou pode apenas ficar velha?
Você vai desistir antes mesmo de passar metade do caminho
Porquê você não percebe? Vienna espera por você.
Quando você perceberá que Vienna espera por você?
Billy Joel
Pena de Morte: A grande selvageria do mundo "civilizado"
Caros Amigos!
Resolvi postar esse mini artigo pois estava fazendo um trabalho da faculdade que me que me lembrou de um caso chocante, ocorrido nos Estados Unidos que se auto Proclama “o Pais da Liberdade, da Democracia”...
Gostaria, queridos, que vocês divulgassem esse assunto, afinal, como seres humanos que somos, é impossível ficar inerte à isso.
Como última observação, informo que os textos entre aspas e em italico, foram estraidos do do site da Bol, disponiveis dia 16 de março de 2010; no seguinte endereço.
http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2009/10/16/ult581u3566.jhtm
Grande Beijo!!!!
Júlia Reader
Crueldade nas execuções!
"Broom Acordou as 5h08, do dia que acreditava ser o último de sua vida. Um guarda o acompanhou ao chuveiro às 5h51. Eram 6h27 quando Broom comeu cereais com leite. Às 8h07 já estavam preparados, no instituto correcional de Lucasville, os três produtos químicos utilizados no coquetel da morte. Às 9h31, um recurso de último minuto deixou em suspenso a execução de Broom, a quem serviram um almoço de frango com vagem, purê de batatas, salada e suco de uva às 12h28. Era sua última refeição. Às 12h48, um juiz determinou que a apelação havia fracassado. O Estado tiraria sua vida às 13h30. Em ponto.
Seguindo as normas ao pé da letra, os funcionários jogaram fora o primeiro coquetel e prepararam um segundo (às 13h24 e às 13h31). Até aqui, tudo era rotina. Como também deveria ser rotina encontrar uma veia no braço do condenado e injetar a dose mortal de tiopentato de sódio, barbitúrico que faz perder a consciência; brometo de pancurônio, que paralisa o diafragma e impede a respiração, e cloreto de potássio, que provoca a parada cardíaca desejada.
Mas às 14h01, uma equipe médica - composta por uma dezena de funcionários responsáveis pelas execuções em Ohio e cuja identidade é mantida no anonimato por ordem judicial - começou a espetar o braço de Broom. Continuaram fazendo isso até as 14h30, quando, incapazes de encontrar uma veia, saíram da sala da morte para descansar.
O assassino condenado - não confesso - pelo sequestro, estupro e assassinato de Tryna Middleton, de 14 anos, em 1984, suportou durante cerca de duas horas as picadas das agulhas em ambos os braços, ambos os tornozelos - que picaram pelo menos uma vez até o osso - e na mão direita. Foram pelo menos 18 tentativas. Todas fracassadas. Várias, sangrentas. A ata da execução falida diz que às 14h49, Broom secou o rosto com um lenço de papel. "Parece que ele havia chorado". Uma das enfermeiras - como Broom chamou as mulheres que participaram da execução, numa declaração juramentada - abandonou o recinto visivelmente alterada.
David e Bessye Middleton, pai e mãe da vítima, que se recusaram a falar com a reportagem, contemplavam a cena separados do assassino de sua filha apenas por um vidro. Esperavam vê-lo morrer há 25 anos. A frustração dessa família - e a de Broom porque não conseguiam acabar com sua vida - foi registrada pelo sistema de gravação de circuito interno da prisão.
Já eram mais de 16h quando o diretor da prisão, Terry Collins, consultou o governador de Ohio, Ted Strickland, que determinou que a execução fosse suspensa durante uma semana. Collins abandonou o réu para efetuar essas ligações, não sem antes agradecer a Broom por sua "cooperação" e suas "tentativas de ajudar a equipe". Entre as tentativas estavam flexionar seu próprio braço para fazer com que uma veia aparecesse, inclinar-se na maca para que o sangue fluísse melhor ou ajudar a amarrar um torniquete cirúrgico.
Romell Broom - de 53 anos, que passou quase 25 no corredor da morte esperando que sua sentença se cumprisse - não morreu no dia 15 de setembro passado no instituto correcional de Lucasville, e às 17h59 serviram-lhe jantar de pastel de verduras com bolachas de sobremesa e suco de uva.
Hoje, sua execução está em suspenso enquanto seus advogados preparam a audiência que revisará seu caso no próximo dia 30. Tim Sweeney e Adele Shank argumentam que uma segunda tentativa de executar Broom violaria a garantia constitucional estabelecida pela oitava emenda que proíbe o "tratamento cruel ou desumano". "A tentativa de execução de Romell Broom em Ohio no mês passado por injeção letal foi uma mostra da pena de morte em seu estado mais bárbaro", publicou o jornal The New York Times em um editorial no fim de semana passado."
"O que aconteceu em Ohio implica um ponto de virada", declara Richard Dieter, diretor do Centro de Informação sobre a Pena de Morte (DPIC, sigla em inglês). "Quer seja porque nossos padrões de decência considerem cruel submeter uma pessoa a múltiplas execuções, quer seja porque isso na realidade é um experimento com seres humanos ou porque o método não funciona, a legislação tem que mudar e avançar até a suspensão da pena de morte"'.
"Curiosamente, Ohio é o único Estado, dos 35 que permitem a pena de morte, que exige por lei que a execução seja feita de forma "rápida e indolor". Na opinião de Sweeney, advogado de Broom, essa norma foi violada."
"Se na construção de seu caso - que no momento implica que o governador de Ohio postergue outras duas execuções previstas para esses meses até a primavera de 2010; outros três Estados suspenderam a pena máxima por outros motivos -, os advogados do condenado apelam à Constituição americana, também se concentram em detalhes mais concretos como o profissionalismo e o preparo das pessoas que realizaram o ritual de execução. "Nesses momentos surgem sérias dúvidas se o Estado está empregando as pessoas corretas para fazer um procedimento tão complexo", disse Sweeney numa conversa telefônica desde Ohio. "Não resta dúvida de que quando esses barbitúricos são mal aplicados, o preso é torturado até a morte", aponta o advogado."
"Todos os Estados que praticam a pena de morte têm políticas muito rígidas que garantem a privacidade dos carrascos. A Califórnia é o Estado cujos protocolos são menos restritos. Uma em cada onze vezes, a equipe de execução de Ohio teve problemas na hora de acabar com a vida de alguém. A penitenciária defendeu seu trabalho e diz que [seus funcionários] fazem "um trabalho que a maioria das pessoas não faria". "Fazem-no de forma profissional e adequada", afirmou Julie Walburn, porta-voz do Centro de Reabilitação de Ohio."
"A injeção letal é o método preferido para os homicídios legais praticados nos Estados Unidos e, na grande maioria dos casos, é aplicada pelos funcionários de prisões ou por uma equipe de cidadãos designados para esse trabalho. Quase nunca é feito por médicos, já que a Associação Médica Americana recomenda que a seus associados não participem de execuções porque isso viola o juramento hipocrático. "O uso de um médico para outro fim que não seja melhorar a saúde ou o bem-estar do indivíduo mina o fundamento ético básico da medicina: não ferir", diz o Conselho de Assuntos Éticos e Judiciais de Medicina. "Se os médicos estivessem presentes nas execuções, violariam seu juramento de salvar vidas", insiste."
"A afirmação de 'confie em mim, que sei o que faço' perde credibilidade quando ocorrem casos como o de Ohio", declara Dieter. "É necessário que haja acesso, que se possa intervir sobre o processo para saber o que de fato está acontecendo e quem é responsável", recalca. "É preciso acabar com a percepção pública de que a injeção letal é um método livre de dor", insiste o advogado que está à frente do DPIC."
"Os Estados Unidos contam com outras quatro formas de matar seus condenados à pena de morte se a injeção letal for considerada "inconstitucional" por seus legisladores (em 007, o Tribunal Supremo suspendeu durante oito meses as execuções em todo o país até que determinou que a injeção não violava a oitava emenda; em 2006, o governador da Flórida, Jeb Bush, suspendeu a pena de morte de forma temporária depois que Ángel Díaz agonizou na maca com uma agulha em seu braço durante 34 longos minutos". A eletrocussão, a câmara de gás, o fuzilamento ou a forca são outras possibilidades."
"Nem por isso a resposta do advogado de Broom à pergunta sobre como se encontra seu cliente é menos aterradora: "Broom está extremamente inquieto com experiência". Está tentando assumir que não morreu, mas acredita que - "com quase toda certeza" - voltarão a tentar novamente."
Tradução: Eloise De Vylder -Disponivel em http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2009/10/16/ult581u3566.jhtm
Galera, sei que esse é um tema que desperta paixões, sei que muntos dirão que um sequestrador e estuprador merece isso... mas PELO AMOR DE DEUS, vamos pensar por um instante, vamos nos colocar no lugar do Romell...
Já é horroroso o bastante você ir caminhando em direção a uma morte legalizada, com dia e hora marcados, esperar por ela 25 anos, então imaginem o medo, a dor disso... e ainda ser TORTURADO por 2 horas, sangrando e sendo perfurado 18 vezes...
Ao ler sobre o nazismo achamos aqueles atos monstruosos., nos indignamos, nos solidarizamos com as vitímas. Agora, qual a diferença do caso de Romell para os campos de morte nazistas...
Nos campos de concentração seres humanos eram picotados em nome da nação... Rommell foi torturado para aprender que era errado torturar??? Qual a diferença das pessoas que fizeram isso e de verdadeiros monstros???
Como vc reagiria se soubesse que um bandido amarrou uma pessoa e a perfurou 18 vezes, que furou o osso de sua vitima, que a vítima sangrou, suplicou, que ele começou essa tortura as 14h e só se deu por satisfeito as 16h...
Vejam, a equipe de carrascos, depois de 30 minutos saiu da camara de execução para descançar...isso por que eles não tinham passado por mais de 2h da mais genuina crueldade.
ma das "enfermeiras" que tentava matar Romell saiu da sala em estado de choque... Sei que estou sendo repetitiva, mas pelo amor de DEUS, imaginem o horror que esse Ser Humano passou....
E esse não é o primeiro caso de que a morte foi precedida de tortura...
Me diga, o que vc acha quando a inquisição em 1821 queimava suas "bruxas" na fogueira...
E o que você me diz disso aqui que aconteceu poucas décadas atrás
"A execução de um preso de Louisiana, em meados dos anos 40, teve que se repetir por causa da negligência de um guarda que não verificou o funcionamento da cadeira elétrica"
"Outro ser humano compartilha com Romell Brown a triste estatística de ter sobrevivido à execução nos Estados Unidos: Willie Francis também sentiu a sensação angustiante de achar que deveria estar morto, mas continuar respirando. Com os músculos doloridos como se os tivessem "cortado com lâminas", Francis tropeçou nos primeiros passos, mas acabou abandonando a sala de execuções caminhando com os próprios pés depois de ter suportado uma descarga de 2.500 volts. Duas vezes."
"Tirem isso, tirem isso!", suplicou Francis a seus carrascos referindo-se ao capuz de couro que cobria seu rosto e prendia sua cabeça à cadeira elétrica. "Não consigo respirar!", gritou depois de receber a primeira descarga."
"Não é para você respirar!", respondeu o capitão Foster depois de lançar um olhar incrédulo sobre o condenado. Em seguida aplicou uma nova descarga sobre o corpo de 17anos do negro condenado por assassinato."
"Não estou morrendo!", disse Francis entre gritos convulsos.
"Gruesome Gertie, como é conhecida a cadeira elétrica de triste fama da Louisiana, não acabou com a vida de Francis em 1946. Um preso que fazia a função de guarda não verificou bem o funcionamento da horripilante Gertie porque estava bêbado. Tudo isso é contado em detalhes no livro "The Execution of Willie Francis" ["A Execução de Willie Francis"], de Gilbert King. Gruesome Gertie fez seu trabalho um ano depois, em 9 de maio de 1947. "Estou pronto para morrer", declarou Francis. Pela segunda vez."
E o que mais me desespera, é que infelizmente Rommell tem razão quando afirma... "Com quase toda certeza eles vão tentar novamente.
Pessoal, desculpem-me a péssima formatação e redação, mas eu senti urgência em repassar isso, acho que toda pessoa, composta de carne e osso, que sente dor e medo, pode entender o que senti, e tentar ver o mundo com os olhos desse homem, que apesar do crime que cometeu a muitas décadas ainda é uma pessoa, filha do mesmo DEUS que os criou, lutando na escola da vida assim como nós...
Não estou discutindo aqui o quão repugnante foi o crime de Rommell, também não discuto se você é a favor ou contra a pena de morte(eu sou contra EM TODOS OS CASOS) mas o que esse homem sofreu ultrapassa os limites da tortura, por favor repassem...
Obrigada!
Grande Beijo!
Júlia Reader
Resolvi postar esse mini artigo pois estava fazendo um trabalho da faculdade que me que me lembrou de um caso chocante, ocorrido nos Estados Unidos que se auto Proclama “o Pais da Liberdade, da Democracia”...
Gostaria, queridos, que vocês divulgassem esse assunto, afinal, como seres humanos que somos, é impossível ficar inerte à isso.
Como última observação, informo que os textos entre aspas e em italico, foram estraidos do do site da Bol, disponiveis dia 16 de março de 2010; no seguinte endereço.
http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2009/10/16/ult581u3566.jhtm
Grande Beijo!!!!
Júlia Reader
Crueldade nas execuções!
"Broom Acordou as 5h08, do dia que acreditava ser o último de sua vida. Um guarda o acompanhou ao chuveiro às 5h51. Eram 6h27 quando Broom comeu cereais com leite. Às 8h07 já estavam preparados, no instituto correcional de Lucasville, os três produtos químicos utilizados no coquetel da morte. Às 9h31, um recurso de último minuto deixou em suspenso a execução de Broom, a quem serviram um almoço de frango com vagem, purê de batatas, salada e suco de uva às 12h28. Era sua última refeição. Às 12h48, um juiz determinou que a apelação havia fracassado. O Estado tiraria sua vida às 13h30. Em ponto.
Seguindo as normas ao pé da letra, os funcionários jogaram fora o primeiro coquetel e prepararam um segundo (às 13h24 e às 13h31). Até aqui, tudo era rotina. Como também deveria ser rotina encontrar uma veia no braço do condenado e injetar a dose mortal de tiopentato de sódio, barbitúrico que faz perder a consciência; brometo de pancurônio, que paralisa o diafragma e impede a respiração, e cloreto de potássio, que provoca a parada cardíaca desejada.
Mas às 14h01, uma equipe médica - composta por uma dezena de funcionários responsáveis pelas execuções em Ohio e cuja identidade é mantida no anonimato por ordem judicial - começou a espetar o braço de Broom. Continuaram fazendo isso até as 14h30, quando, incapazes de encontrar uma veia, saíram da sala da morte para descansar.
O assassino condenado - não confesso - pelo sequestro, estupro e assassinato de Tryna Middleton, de 14 anos, em 1984, suportou durante cerca de duas horas as picadas das agulhas em ambos os braços, ambos os tornozelos - que picaram pelo menos uma vez até o osso - e na mão direita. Foram pelo menos 18 tentativas. Todas fracassadas. Várias, sangrentas. A ata da execução falida diz que às 14h49, Broom secou o rosto com um lenço de papel. "Parece que ele havia chorado". Uma das enfermeiras - como Broom chamou as mulheres que participaram da execução, numa declaração juramentada - abandonou o recinto visivelmente alterada.
David e Bessye Middleton, pai e mãe da vítima, que se recusaram a falar com a reportagem, contemplavam a cena separados do assassino de sua filha apenas por um vidro. Esperavam vê-lo morrer há 25 anos. A frustração dessa família - e a de Broom porque não conseguiam acabar com sua vida - foi registrada pelo sistema de gravação de circuito interno da prisão.
Já eram mais de 16h quando o diretor da prisão, Terry Collins, consultou o governador de Ohio, Ted Strickland, que determinou que a execução fosse suspensa durante uma semana. Collins abandonou o réu para efetuar essas ligações, não sem antes agradecer a Broom por sua "cooperação" e suas "tentativas de ajudar a equipe". Entre as tentativas estavam flexionar seu próprio braço para fazer com que uma veia aparecesse, inclinar-se na maca para que o sangue fluísse melhor ou ajudar a amarrar um torniquete cirúrgico.
Romell Broom - de 53 anos, que passou quase 25 no corredor da morte esperando que sua sentença se cumprisse - não morreu no dia 15 de setembro passado no instituto correcional de Lucasville, e às 17h59 serviram-lhe jantar de pastel de verduras com bolachas de sobremesa e suco de uva.
Hoje, sua execução está em suspenso enquanto seus advogados preparam a audiência que revisará seu caso no próximo dia 30. Tim Sweeney e Adele Shank argumentam que uma segunda tentativa de executar Broom violaria a garantia constitucional estabelecida pela oitava emenda que proíbe o "tratamento cruel ou desumano". "A tentativa de execução de Romell Broom em Ohio no mês passado por injeção letal foi uma mostra da pena de morte em seu estado mais bárbaro", publicou o jornal The New York Times em um editorial no fim de semana passado."
"O que aconteceu em Ohio implica um ponto de virada", declara Richard Dieter, diretor do Centro de Informação sobre a Pena de Morte (DPIC, sigla em inglês). "Quer seja porque nossos padrões de decência considerem cruel submeter uma pessoa a múltiplas execuções, quer seja porque isso na realidade é um experimento com seres humanos ou porque o método não funciona, a legislação tem que mudar e avançar até a suspensão da pena de morte"'.
"Curiosamente, Ohio é o único Estado, dos 35 que permitem a pena de morte, que exige por lei que a execução seja feita de forma "rápida e indolor". Na opinião de Sweeney, advogado de Broom, essa norma foi violada."
"Se na construção de seu caso - que no momento implica que o governador de Ohio postergue outras duas execuções previstas para esses meses até a primavera de 2010; outros três Estados suspenderam a pena máxima por outros motivos -, os advogados do condenado apelam à Constituição americana, também se concentram em detalhes mais concretos como o profissionalismo e o preparo das pessoas que realizaram o ritual de execução. "Nesses momentos surgem sérias dúvidas se o Estado está empregando as pessoas corretas para fazer um procedimento tão complexo", disse Sweeney numa conversa telefônica desde Ohio. "Não resta dúvida de que quando esses barbitúricos são mal aplicados, o preso é torturado até a morte", aponta o advogado."
"Todos os Estados que praticam a pena de morte têm políticas muito rígidas que garantem a privacidade dos carrascos. A Califórnia é o Estado cujos protocolos são menos restritos. Uma em cada onze vezes, a equipe de execução de Ohio teve problemas na hora de acabar com a vida de alguém. A penitenciária defendeu seu trabalho e diz que [seus funcionários] fazem "um trabalho que a maioria das pessoas não faria". "Fazem-no de forma profissional e adequada", afirmou Julie Walburn, porta-voz do Centro de Reabilitação de Ohio."
"A injeção letal é o método preferido para os homicídios legais praticados nos Estados Unidos e, na grande maioria dos casos, é aplicada pelos funcionários de prisões ou por uma equipe de cidadãos designados para esse trabalho. Quase nunca é feito por médicos, já que a Associação Médica Americana recomenda que a seus associados não participem de execuções porque isso viola o juramento hipocrático. "O uso de um médico para outro fim que não seja melhorar a saúde ou o bem-estar do indivíduo mina o fundamento ético básico da medicina: não ferir", diz o Conselho de Assuntos Éticos e Judiciais de Medicina. "Se os médicos estivessem presentes nas execuções, violariam seu juramento de salvar vidas", insiste."
"A afirmação de 'confie em mim, que sei o que faço' perde credibilidade quando ocorrem casos como o de Ohio", declara Dieter. "É necessário que haja acesso, que se possa intervir sobre o processo para saber o que de fato está acontecendo e quem é responsável", recalca. "É preciso acabar com a percepção pública de que a injeção letal é um método livre de dor", insiste o advogado que está à frente do DPIC."
"Os Estados Unidos contam com outras quatro formas de matar seus condenados à pena de morte se a injeção letal for considerada "inconstitucional" por seus legisladores (em 007, o Tribunal Supremo suspendeu durante oito meses as execuções em todo o país até que determinou que a injeção não violava a oitava emenda; em 2006, o governador da Flórida, Jeb Bush, suspendeu a pena de morte de forma temporária depois que Ángel Díaz agonizou na maca com uma agulha em seu braço durante 34 longos minutos". A eletrocussão, a câmara de gás, o fuzilamento ou a forca são outras possibilidades."
"Nem por isso a resposta do advogado de Broom à pergunta sobre como se encontra seu cliente é menos aterradora: "Broom está extremamente inquieto com experiência". Está tentando assumir que não morreu, mas acredita que - "com quase toda certeza" - voltarão a tentar novamente."
Tradução: Eloise De Vylder -Disponivel em http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2009/10/16/ult581u3566.jhtm
Galera, sei que esse é um tema que desperta paixões, sei que muntos dirão que um sequestrador e estuprador merece isso... mas PELO AMOR DE DEUS, vamos pensar por um instante, vamos nos colocar no lugar do Romell...
Já é horroroso o bastante você ir caminhando em direção a uma morte legalizada, com dia e hora marcados, esperar por ela 25 anos, então imaginem o medo, a dor disso... e ainda ser TORTURADO por 2 horas, sangrando e sendo perfurado 18 vezes...
Ao ler sobre o nazismo achamos aqueles atos monstruosos., nos indignamos, nos solidarizamos com as vitímas. Agora, qual a diferença do caso de Romell para os campos de morte nazistas...
Nos campos de concentração seres humanos eram picotados em nome da nação... Rommell foi torturado para aprender que era errado torturar??? Qual a diferença das pessoas que fizeram isso e de verdadeiros monstros???
Como vc reagiria se soubesse que um bandido amarrou uma pessoa e a perfurou 18 vezes, que furou o osso de sua vitima, que a vítima sangrou, suplicou, que ele começou essa tortura as 14h e só se deu por satisfeito as 16h...
Vejam, a equipe de carrascos, depois de 30 minutos saiu da camara de execução para descançar...isso por que eles não tinham passado por mais de 2h da mais genuina crueldade.
ma das "enfermeiras" que tentava matar Romell saiu da sala em estado de choque... Sei que estou sendo repetitiva, mas pelo amor de DEUS, imaginem o horror que esse Ser Humano passou....
E esse não é o primeiro caso de que a morte foi precedida de tortura...
Me diga, o que vc acha quando a inquisição em 1821 queimava suas "bruxas" na fogueira...
E o que você me diz disso aqui que aconteceu poucas décadas atrás
"A execução de um preso de Louisiana, em meados dos anos 40, teve que se repetir por causa da negligência de um guarda que não verificou o funcionamento da cadeira elétrica"
"Outro ser humano compartilha com Romell Brown a triste estatística de ter sobrevivido à execução nos Estados Unidos: Willie Francis também sentiu a sensação angustiante de achar que deveria estar morto, mas continuar respirando. Com os músculos doloridos como se os tivessem "cortado com lâminas", Francis tropeçou nos primeiros passos, mas acabou abandonando a sala de execuções caminhando com os próprios pés depois de ter suportado uma descarga de 2.500 volts. Duas vezes."
"Tirem isso, tirem isso!", suplicou Francis a seus carrascos referindo-se ao capuz de couro que cobria seu rosto e prendia sua cabeça à cadeira elétrica. "Não consigo respirar!", gritou depois de receber a primeira descarga."
"Não é para você respirar!", respondeu o capitão Foster depois de lançar um olhar incrédulo sobre o condenado. Em seguida aplicou uma nova descarga sobre o corpo de 17anos do negro condenado por assassinato."
"Não estou morrendo!", disse Francis entre gritos convulsos.
"Gruesome Gertie, como é conhecida a cadeira elétrica de triste fama da Louisiana, não acabou com a vida de Francis em 1946. Um preso que fazia a função de guarda não verificou bem o funcionamento da horripilante Gertie porque estava bêbado. Tudo isso é contado em detalhes no livro "The Execution of Willie Francis" ["A Execução de Willie Francis"], de Gilbert King. Gruesome Gertie fez seu trabalho um ano depois, em 9 de maio de 1947. "Estou pronto para morrer", declarou Francis. Pela segunda vez."
E o que mais me desespera, é que infelizmente Rommell tem razão quando afirma... "Com quase toda certeza eles vão tentar novamente.
Pessoal, desculpem-me a péssima formatação e redação, mas eu senti urgência em repassar isso, acho que toda pessoa, composta de carne e osso, que sente dor e medo, pode entender o que senti, e tentar ver o mundo com os olhos desse homem, que apesar do crime que cometeu a muitas décadas ainda é uma pessoa, filha do mesmo DEUS que os criou, lutando na escola da vida assim como nós...
Não estou discutindo aqui o quão repugnante foi o crime de Rommell, também não discuto se você é a favor ou contra a pena de morte(eu sou contra EM TODOS OS CASOS) mas o que esse homem sofreu ultrapassa os limites da tortura, por favor repassem...
Obrigada!
Grande Beijo!
Júlia Reader
July Reader
4- A Analista. Memórias
Anna invadiu minha sala sorridente e logo começou a falar...
Ela continuava a rir de mim, contou que todos na escola amaram sua nova pulseira, ela disse que havia sido presente de sua terapeuta...
Então ela falava de mim com as amigas... isso estava ficando bom...
As sessões eram cheias de vida, eu quase não me encontrava mais com meu cachorro cantor, Anna ocupava cada espaço da minha atenção...
Cada dia nos aproximávamos mais, Ela era um refrigério, um oásis de leveza em meu dia....
Nos divertíamos tanto que acabei colocando-a no meio da tarde das terça-feiras modorrentas onde eu acumulava os pacientes mais pesados que eu tinha,...
O que torna um paciente “pesado” usando o linguagem da própria Anna (que havia reinventado a definição de bom/mal certo/errado fácil/difícil) não era a complexidade do caso e sim a capacidade de rir das próprias mazelas...
Dirce, uma paciente ícone das típicas terça-feiras começava a sessão reclamando de meus honorários, do plano de saúde que não cobria, e de ela ter que gastar boa parte da aposentadoria comigo...
Só pra constar ela era procuradora aposentada e eu não chegava a um por cento de seus gastos...teve também uma menina, Nana, nunca atendi alguém com tanta doçura, porém levava para o lado pessoal as mais inocentes brincadeiras, sua auto estima era desastrosa.
Voltemos a Anna...
Ela tagarelou por uns mim, me contando como de costume sobre a escola, amigas, namorados, namorados das amigas....
Combinamos na sessão passada que eu daria 10 minutos para o momento fofoca, como ela mesma o apelidara... e quando o tempo acabava eu imitava um relógio de tolck shwou.. PEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEm!!!!
Mas dessa vez foi ela que encerrou o tempo...
Parou de falar por um instante como se procurasse as palavras, respirando fundo começou...
--Eu........não comi nada ontem o dia todo...
--Minha mãe me forçou a jantar,,, eu entrei no banheiro e miei(vomitei) eu miei sangue.... muito sangue... até a um pedaço de pele caiu da minha garganta...
-- Porque você me contou isso agora?
-- Não é pra isso que agente ta aqui?
-- Estamos aqui pra muitas coisas... mas essa é a primeira vez que você toca nesse assunto... porque hoje, Ana.
-- Eu desmaiei no banheiro sozinha, eu não conseguia andar de tanta tontura... fiquei sentada no chão... o banheiro fedendo a vomito,fedendo comida e eu sentada...
-- Quando recobrei a consciência comecei a miar de novo... eu não agüentava de dor, mas era impossível... minha garganta cortada, tava difícil, só o meu dedo não faz mais efeito, eu coloquei uma colher...
Quando já não tinha mais nada p/ vomitar, só sangue, eu tomei 4 litros de água... não conseguia respirar, parecia que o meu coração ia parar... forcei uma vez e comecei a miar sem controle... só água... meu estomago se contorcia de dor... mesmo quando toda água saiu eu não consegui parar, não tinha mais nada e a ânsia não parava... ai veio o sangue, e eu cai pra trás exausta.
--Minha unha já ta em carne viva Lara, disse a pequena me estendendo as mãos...
--Outro dia o Caio, lembra o guri que eu gosto da minha sala.
Meneei a cabeça positivamente.. não queria que ela parasse de falar...
--Ele olhou pra mim e me perguntou se eu estava doente, os olhos dele eram de pena...
--Merda, aquele idiota sentiu pena de mim...
Ela desatou a chorar,,, eu não podia recuar agora...
-- Porque você acha que ele sentiu pena de você?
--Você é retardada, o guri me pergunta se eu estou doente e me olha com aqueles olhos de “to do seu lado coitadinha”
Ignorando o elogio, eu prossegui..
-- E ele tem motivo para ter pena de você?
Ela me fulminou com os olhos cheios de ódio, e saiu batendo a porta...
Foi a mais longa sessão de 17 minutos que eu já fiz...
A Analista largou o mouse e começou a andar inquieta pela sala...
Sentada na poltrona azul (destina aos pacientes) ela tentava organizar as idéias...em sua memória brilhavam mais detalhes que qualquer anotação...
Na semana seguinte aquela sessão a menina chegou cabisbaixa... parecia uma criança temendo a bronca da mãe, que no caso era eu.
--Acho q te devo desculpas, disse ela me estendendo um bombom...
--Apesar do gesto totalmente fora de hora e de lugar a desproteção da menina me comoveu...
Eu podia interpretar, questionar o porque daquilo, mais tive receio de que ela se partisse ao meio, suas emoções eram ainda mais frágeis que seu pequeno corpo.
-- Sem problemas Anna, disse deixando o chocolate sobre a mesinha .
-- Você quer falar sobre o que aconteceu na última sessão?
-- Eu tava muito brava e acho que descontei em você.
-- Brava com o Caio?
-- Não, acho q dele não.
-- E então?
- Eu me senti um lixo quando ele perguntou se eu estava doente... sabe quando você quer sumir;
-- Porque a pergunta dele te incomodou tanto?
--Sabe Lara, você é a única que conversa comigo.
Seus olhos lacrimejavam enquanto falava...
-As outras pessoas ou me dão conselhos ou me pedem explicações...
--Outro dia a diretora da escola veio conversar comigo e me disse que eu tava com anorexia, que eu tava feia..
O choro irrompeu outra vez... cada palavra sangrava uma ferida naquele coração pequenino....
-- Eu não posso nem ir na farmácia, se eu vou comprar cereal a atendente me pergunta se eu só como aquilo o dia todo...
Uma vez eu fui pesar a noite, e uma velha enxerida me falou, “Para de emagrecer guria você já ta pele e osso...”
-- Eu não agüento mais, não agüento...
-- Quando eu era gorda se me viam com um chocolate faziam piadinha, minha mãe parecia uma neurótica cada dia com uma nova dieta, me levando em nutricionistas e brigando comigo quando eu fracassava.
-- Uma vez no primeiro dia de aula, eu coloquei um shortinho e ela me disse para eu tirar, que ela não queria que eu ficasse ridícula...
Enquanto a boca derramava palavras os olhos derramavam lágrimas... ela respirava com dificuldade, há muito eu havia perdido o ar.
-- Quando agente ia comprar roupa tudo que eu queria servia nela... nada me servia, as vendedoras me olhavam com pena...
-- Não consigo!
-Não consigo ......... desculpa... eu acho q vou vomitar.
Hora de assumir o controle...
-- Tudo bem Anna, você foi muito corajosa...
Eu detestava tratar meus pacientes como crianças... Parabéns você foi ótimo, bom garoto... só me faltava estender um pirulito... me sentia uma hipócrita... mas se eu forçasse mais um pouco ela dissolveria na minha frente...
Uma vez um professor me disse que eu me apegava demais a meus pacientes... Não consigo achar um sentido para a psicologia se eu não der o melhor de mim a cada paciente.
E isso sem duvida envolve meus sentimentos...
Depois que ela saiu fiquei pensando... como as marcas da infância pode se arraigar de forma tão profunda ... è como se ela estacionasse naquela faze da vida... gorda, humilhada sozinha...
Meu cérebro estava cozinhando,,, e minha próxima paciente também merecia o melhor de mim...
Cansar o corpo aquieta a mente....fui para o meu refugio de sanidade, o parque central...
3- A Analista. A Sós.
Fui até o Parque Central cumprir meu ritual sagrado de todas as noites, Minha caminhada. Porém após a segunda volta desisti do intento, toda minha energia havia ficado em Daniely.
A estrada e as arvores que sempre enchiam-me os olhos foram solenemente ignoradas, olhava pra dentro e só conseguia ver o rosto de minha paciente...seus punhos, a dor...
Eu conhecia bem a intensidade daquela dor...
--Sig, vem cá amor, isso bebe da mamãe. To precisando de carinho Sig!!!
Sig é o meu labrador branco, meu grande amor... escolhi esse nome em homenagem ao pai da psicanálise.
Não sei se o Sig explica ou complica, mas sem duvida ele é muito mais fofinho do que o Freud.
Sentei no chão, esparamada, e ele logo veio correndo desageitado e abanando o rabo... calma Siiiiig...
Levamos uma trombada digna de cinema, eu até que tentei dar uma bronca, mais ele veio com aquela carinha de cachorro pidão, se jogou no meu colo, e com o fucinho colocou meu braço sobre sua cabeça...
Ficamos assim por um tempo... por mim teria sido pela noite inteira, mas ele não sabe ficar 1 minuto quieto...
--Para Sig, você é hiperativo...
Ele não gostou do diagnostico, abanou o rabo e me deixou falando sozinha...
Sabe Sig, você é tão simples amor... Só quer comida e carinho, não se angustia, não é ansioso,, jamais cortaria suas patinhas...
Ele fitou sua dona, mostrando interesse, e deu-lhe uma lambida reconfortante...
--Rsrs... Sig você é o melhor terapeuta do mundo!!!
Servi o jantar do meu gatinho( James, um amigo terapeuta comportamental me dizia que eu ainda ia criar uma crise de identidade no Sig, onde já se viu chamar esse baita cachorro de gatinho, protestava ele), comi uma fruta qualquer e deitei...
A noite seria difícil....
Como de costume cheguei em meu consultorio as 5h em ponto.
Esse era um horário mágico, até meus pacientes com insônia, já tinham ido dormir,,, podia me entregar plenamente aos meus livros e textos...era a minha higiene mental... A solidão do consultório era confortadora... um dia num divã como esse eu também fui paciente...
A psicologia sempre exerceu fascínio sobre mim... mas foi durante o processo da terapia que descobri minha grande paixão...
Passar por uma análise é algo imensurável, foge a qualquer outra classificação... quer fazer uma pergunta difícil a um paciente, pergunte o que é s seu terapeuta para ele...
È alguém perante o qual você desnuda seus mais íntimos fantasmas,, suas mais profundas vergonhas e medos... ele testemunha suas lagrimas e vitórias... muda parte da sua vida... e você? O que sabe sobre ele??
Numa relação de amizade a cada segredo contado é normal receber também uma revelação do amigo, prestar-lhe apoio, saber de seus sonhos em fim...
Porém terapia não é amizade, nem família... o terapeuta é mais que seu médico, o vinculo é forte... ele é aquela pessoa para quem você pode ligar as duas da manhã, porém sabe que a recíproca é inteiramente falsa...
O toque estridente do telefone arrancou-me bruscamente de minhas lembranças... após acalmar um paciente, coloquei o notebook sobre as pernas e recostei minha cabeça na almofada branca. Adorava deitar em meu velho tapete felpudo.
Tomei entre as mãos minha xícara de café, estava fumegando...
Muitas pessoas afirmam que o preferem o cheiro do café a seu gosto... o que eu mais gosto no café é o calor.
o café quente confortando minha pele me leva a um lugar seguro, as vezes fico assim por vários minutos até o café esfriar, então desisto do intento de bebê-lo.
Estava com todas as minhas anotações sobre Anna claudia... eu não conseguia entender o súbito retrocesso dela...
As lembranças voltaram à minha sala de cinema mental... eis um pouco de sua historia...
2- A Analista. A face da dor
bela professora primária apertava a unha cumprida contra a pele do braço, aquele ritual de dor parecia acalmá-la.
--Daniely, vamos lá?
--Ela respirou fundo, e me deu um leve aperto de mão..Estava tão fria que quase gemi.
Reparei por um instante seu rosto, feições delicadas, cabelos e olhos cor de mel. Uma mulher muito bonita, mas algo em sua expressão destoava do restante da face.
Fazia um forte calor... todos os meus pacientes do dia trajavam roupas leves, e os que estavam mais formais, despojavam-se dos blazers logo ao entrar...
O ar condicionado no Maximo parecia uma brisa acanhada...
Apesar do clima, Daniely vestia uma blusa de manga comprida, seu corpo extremamente rígido, a bolsa e minha almofada no colo, mais fechada impossível...
A primeira imagem que me veio à mente, foram punhos e pulsos retalhados, ardendo sob a densa camada de pano... Eu não estava errada...
Vários colegas trocavam historias sobre as pequenas armadilhas de seus consultórios... uns mantinham portas ruidosas, outros propositadamente quadros desalinhados na parede. São chamarizes cuja quais alguns pacientes não conseguem resistir. As minhas eram as almofadas...
Com certa dose de maldade eu mantinha 2 almofadas na poltrona destinada aos pacientes. As reações eram as mais diversas... Alguns as atiravam sobre o divã sem dar importância, outros as colocavam no chão com certo constrangimento, tiveram outros que me perguntaram o que fazer com elas, e a maioria, como minha paciente,usavam as almofadas sobre o colo como um escudo entre nós...
Furtando-me de meus pensamentos ela começou a chorar... Esperei alguns instantes, estendi um lenço, não posso expressar em palavras o que vi em seu rosto, porém nunca vou esquecer, se a dor tinha rosto ele estava agora em minha frente. Daniely era a face da dor.
-- Eu não consigo, desculpe.
--Tudo bem, você tem o tempo que precisar.
Os seus olhos pediam ajuda, tive vontade de acalentá-la em meus braços, O peso do silêncio pairava sobre nos duas, eu não agüentava mais.
-- O que te trouxe até mim, Daniely...
-- Ela não disse uma palavra, apenas levantou a manga da blusa e mostrou-me um dos seus braços, fitei-os por um instante, cortados simetricamente do cotovelo ao punho, varias cicatrizes de cortes já fechados, voltei a olhar em seus olhos, ela desviou-os de mim.
Era claro a humilhação que ela sentia, imaginei por um instante quão solitária ela devia ser...
--Você se corta a muito tempo?
- Dois anos. No começo eram 2, 3 cortes por semana, pequenos sem marcas, eu só me cortava quando estava triste, quando fazia besteira... me cortava com um alicate, quase não sangrava... com o tempo, não sei quando, foi ficando cada vez mais freqüente,,, se eu estava feliz me cortava, se estava triste, ou entediada também...
O alicate já não adiantava, como uma droga eu tinha que aumentar a dosagem, passei então a usar um estilete...
Ela fez uma pausa profunda, como se precisasse respirar levantou-se e caminhou em direção a janela, ficando de costas para mim...
-- Eu carregava o estilete na bolsa, as vezes ia para o banheiro da escola onde trabalho, sentava no chão e me cortava... Minha bolsa era quase uma farmácia... Álcool, banda ide, pomada... E por fim uma toalha para secar o sangue que caia no chão...
Eu cortava a barriga, pois era mais fácil de esconder... Depois a perna, o pé, a palma da mão, e como uma praga as cicatrizes foram ganhando meu corpo inteiro... E eu perdendo minha liberdade...
As roupas cada vez mais longas, as portas cada vez mais fechadas... Não sei se você entende... Acho que nem eu.
O choro subtraiu-lhe a vós, ela soluçava...
Eu geralmente não interferia nas reações do paciente, deixava-os livres para se expressarem... Sentar no chão, deitar no divã, andar, folhar meus livros ... Mas o sofrimento dela era tão intenso que eu tive que intervir.
O soluço furtava-lhe o ar, ela estava desesperada.
--Eu não consigo respirar.
--Você precisa se acalmar (eu falava pausadamente, dando ênfase a cada palavra e repetindo diversamente os comandos)
--Sente-se, fique em uma postura confortável..
--Daniely, você esta me acompanhando.
Ao sinal positivo continuei...
--Tudo bem, eu quero que você inspire contando de um a cinco e expire contando de 5 a 1..
--- Você pode fazer isso Daniely? Muito bem, concentre-se na minha voz.
-- Inspira, um, dois,, três,quatro,,,,cinco.
--Você esta indo bem, expira cinco,, quatro três dois um,,,
Depois de algumas dezenas de repetições pudemos retornar a conversa... o nosso tempo havia estourado em mais de 10 minutos, porém mandá-la embora daquele modo seria o mesmo que deixar um paciente aberto na mesa de operação.
--Como você esta se sentindo?
-- Bem obrigada, desculpa a cena...
-- Daniely, eu estou aqui para ajudar você a entender isso, e em terapia nos vamos abrir muitas feridas profundas (que trocadilho infeliz) então você não precisa ter vergonha de falar o que sente...
-- Obrigada,,, eu nunca tinha falado disso com ninguém ..
--E como foi pra você dividir isso comigo??
-- È horrível falar sobre isso, mas um alivio dividir com alguém.
-- Pelo menos nesse início eu gostaria de te ver 3 vezes por semana, tudo bem???
- Eu trabalho até as 5 na escola.
-- Que tal segunda, quarta e sexta as 6.45?
--Acho que da,
--Além da terapia, eu vou te passar uma medicação, para te ajudar com os cortes.
-- Eu odeio remédio, mas acho que não tenho mais escolha.
-- Esse medicamento vai te ajudar a dormir e a se sentir melhor.
--Dormir, eu já nem sei o que é isso...Você acha que eu vou conseguir dormir??
-- Ele demora mais ou menos 15 dias para ter um efeito significativo no organismo, mas eu vou te dar uma amostra de um remédio que tenho aqui que faz efeito imediato, se você se sentir muito deprimida, com vontade de se machucar eu quero que coloque um comprimido de baixo da língua e deixe-o dissolver...
--Eu to com medo de perder o controle...
-- Você está medicada agora, e eu estou com você... Vou te dar meu telefone... Esse é o do consultório, esse aqui da minha casa e esses do meu celular... Se você precisar eu quero que me ligue não importa a hora, tudo bem?
-Ta bom.
--Se você sentir esse medo, ou tiver vontade de se machucar me liga ta.
Ela assentiu com a cabeça.
Te vejo na sexta, se você sentir qualquer efeito da medicação, ou se quiser me ver, estarei aqui amanhã, e você tem meus telefones...
Eu repetia os comandos, como se falasse com uma criança que vai ficar pela primeira vez longe da mãe... Fiquei olhando pela janela até ela entrar no carro...
Ela me deixou com um nó na garganta... Sentei no meu tapete e fiquei absorta em meus pensamentos... Na verdade as imagens passavam vertiginosamente por mim... Era a minha ultima paciente do dia, eu estava exausta...
Apaguei as luzes, tranquei a porta, pensei naquela mulher aos pedaços que acabara de ir, pensei em DEUS, e implorei que pelo menos por essa noite ela pudesse dormir e que assim não se machucasse...
July Reader
1- A Analista. Cristal
Faltavam 15 mim para conhecer sua nova paciente.
Lara se jogou exausta no divã e começou a folhear uma revista especializada em dietas...
A analista, como toda mulher executava diariamente exaustivos rituais de beleza, desta vez porém não estava atrás de um novo cardápio, tampouco da nova promessa dos nutricionistas, ela já tinha sua própria coleção de grãos... aprendera desde pequena que aveia fazia bem, com o tempo seu potinho de granola já tinha castanhas suficientes para dar injeja a qualquer flores recentemente se encantou com a quinua , acrescentando mais uma promessa ao seu pote de ração humana.
Como toda mulher ela também precisava perder 3 kg.
Mas dessa vez não lia com ares consumistas, seus olhos corriam absortos para tentar dar a mente inquieta um pouco de luz...
O que a levara a leitura foi a repentina piora de sua paciente Anna Claudia.
A principio a menina reagira bem ao tratamento, estava fazendo progressos estimulantes, começava a se ariscar pelas curvas do inconsciente, e tentar descobrir nesse território quase inexplorado o que a levara a anorexia nervosa.
Lembro-me em cores vivas da primeira vez que atendi Anna Claudia.
Praticamente empurrada pela mãe para dentro do meu consultório o frágil cristal desabou na poltrona e se apressou em esconder atrás da almofada a barriga que supunha ter.
Sua imagem, a primeira vista me chocou, na minha fixa constava que s paciente teria 17 anos, mas o espectro a minha frente não aparentava ter chegado aos 10.
--Oi Anna Claudia, tudo bem?
-Anna.
--Anna, ok. E no que eu posso ajudar você, Anna?
-- Minha mãe me obrigou a ver você, eu não preciso de uma psiquiatra!
-- E por que sua mãe acha que você precisa me ver?
-- Porque todo médico é babaca, e o que me atendeu disse para ela que eu tenho Anna(anorexia)
O Rosto frágil daquela menina tenha uma expressão distante, mor6a, ela já havia ultrapassado o limite da dor, e pior que a dor, somente o vazio.
As 4 primeiras sessões foram tensas. Nas duas primeiras ela se limitou a responder minhas perguntas, com o tempo começou a falar, não sei se era exatamente comigo, ou se com ela mesma... o som de sua vos era distante, sem interresse, era como se ela não se escutasse, estava apenas cumprindo tabela...
--Anna você esta escutando o que diz??
-- Sim, respondeu ela automaticamente...
Persisti no silencio, que a essa altura já estava me incomodando, lancei meus olhos nos seus, e ela não sustentou por mais de 2 segundos e fixou-se em algum ponto entre o tapete e a mesa.
-- To me escutando sim, dra...
-- Que tal você me chamar de Lara... você se sente confortável assim?
-- Tanto faz..
Por mais ou menos 6 meses seguimos nessa batida, eu tentando transpor a muralha da china. E ela cada vez erguendo mais um tijolo de defesa atrás de conversas comuns...
Nada me irritava mais do que quando o paciente começava descrever cada detalhe de cada fato de cada dia da semana.
A alguns anos eu tive um paciente, que era um corretor de sucessos, Dick passou 45 mim me falando de debrêntures e títulos imobiliários, me senti de volta ao ensino médio em uma desesperadora aula de matemática. Eu respirava fundo e fazia o máximo de esforço para prestar atenção, geralmente era em vão, minha mente acabava em alguma espécie de desenho animado,, com um cachorro cantor.
Quando o paciente me chamava a realidade estrelava meu mais intenso olhar terapêutico e me salvava com um típico jargão proficional... “eu estava me perguntando, por que você abordou isso, e porque agora..”
Desta vez meu jargão não funcionou, os olhos dela brilharam com uma astúcia infantil..
-- Você está me escutando, Lara...
Eu quase vibrei, era a primeira vez que ela me contestava, era a primeira vez que ela me encarava, era a primeira vez que ela falava realmente comigo...
-- Não, você me pegou Anna, eu estava longe...
--A onde??
Achei que não seria nada construtivo falar do meu cachorro cantor..
-- Eu prometo que volto a isso, mas agora pensando Anna, o que me fez dispersar, você pode me ajudar nisso??
-- A analista aqui é você!
Não me contive e sorri, foi um sorriso prazeroso, lembrei imediatamente de Freud, quando após uma interpretação brilhante, acendia um charuto e oferecia outro ao seu paciente.
Eu não tinha charutos, apenas algumas balas diets na bolsa, mas oferecer bala para uma anorexica, ela com certeza sairia correndo...
--É justo.
-- Então vamos lá, eu lembro que comecei a me entediar quando você começou a descrever cada passo da sua aula de física.
Os olhos dela estavam acesos, eu havia atraído sua atenção... algo estava mudando...
--E por que você acha que eu fiz isso...
Ela estava invertendo os papeis, resolvi entrar no jogo, afinal era melhor que um monologo...
Levantei da minha cadeira e propus trocarmos de lugar... ela aceitou deliciada... estávamos finalmente juntas...
-- Você não vai escapar da minha pergunta...
-- Você acha que eu quero isso??
-- A não, quem faz as perguntas hoje sou eu,, disse ela com risinho sapeca...ela estava se divertindo tanto quanto eu.
-- Ok dra, eu acho que você fez isso para ver até onde eu esperaria, para me forçar a te fazer mudar de assunto.
-- Continue, estou ouvindo. Ela me remedava com talento...
Era a primeira vez que eu passava por isso,, hilário.
Aquela sessão foi um divisor de águas, nas semanas seguintes parecia que eu estava atendendo outra pessoa...
-- E quanto eu te devo doutora Anna...
--È serio?
- O que quizer...
Eu me arrependeria...
- Sua pulseira.
A pulseira de que eu tinha ganhado a 10 anos do meu pai.. .palavra é palavra e como diria minha avó “quem fala de mais da bom dia a cavalos”...
Com todo o pesar do mundo tirei a pulseira e coloquei em seu pulso, enquanto ela esboçava um largo sorriso...
--È dra, nossa sessão hoje foi produtiva...
Engraçadinha..
Consultando o relógio e vestindo o sorriso mais terapêutico que possuía, Lara levantasse e vai buscar sua nova paciente...
Está na hora de conhecer Daniely.
Lara se jogou exausta no divã e começou a folhear uma revista especializada em dietas...
A analista, como toda mulher executava diariamente exaustivos rituais de beleza, desta vez porém não estava atrás de um novo cardápio, tampouco da nova promessa dos nutricionistas, ela já tinha sua própria coleção de grãos... aprendera desde pequena que aveia fazia bem, com o tempo seu potinho de granola já tinha castanhas suficientes para dar injeja a qualquer flores recentemente se encantou com a quinua , acrescentando mais uma promessa ao seu pote de ração humana.
Como toda mulher ela também precisava perder 3 kg.
Mas dessa vez não lia com ares consumistas, seus olhos corriam absortos para tentar dar a mente inquieta um pouco de luz...
O que a levara a leitura foi a repentina piora de sua paciente Anna Claudia.
A principio a menina reagira bem ao tratamento, estava fazendo progressos estimulantes, começava a se ariscar pelas curvas do inconsciente, e tentar descobrir nesse território quase inexplorado o que a levara a anorexia nervosa.
Lembro-me em cores vivas da primeira vez que atendi Anna Claudia.
Praticamente empurrada pela mãe para dentro do meu consultório o frágil cristal desabou na poltrona e se apressou em esconder atrás da almofada a barriga que supunha ter.
Sua imagem, a primeira vista me chocou, na minha fixa constava que s paciente teria 17 anos, mas o espectro a minha frente não aparentava ter chegado aos 10.
--Oi Anna Claudia, tudo bem?
-Anna.
--Anna, ok. E no que eu posso ajudar você, Anna?
-- Minha mãe me obrigou a ver você, eu não preciso de uma psiquiatra!
-- E por que sua mãe acha que você precisa me ver?
-- Porque todo médico é babaca, e o que me atendeu disse para ela que eu tenho Anna(anorexia)
O Rosto frágil daquela menina tenha uma expressão distante, mor6a, ela já havia ultrapassado o limite da dor, e pior que a dor, somente o vazio.
As 4 primeiras sessões foram tensas. Nas duas primeiras ela se limitou a responder minhas perguntas, com o tempo começou a falar, não sei se era exatamente comigo, ou se com ela mesma... o som de sua vos era distante, sem interresse, era como se ela não se escutasse, estava apenas cumprindo tabela...
--Anna você esta escutando o que diz??
-- Sim, respondeu ela automaticamente...
Persisti no silencio, que a essa altura já estava me incomodando, lancei meus olhos nos seus, e ela não sustentou por mais de 2 segundos e fixou-se em algum ponto entre o tapete e a mesa.
-- To me escutando sim, dra...
-- Que tal você me chamar de Lara... você se sente confortável assim?
-- Tanto faz..
Por mais ou menos 6 meses seguimos nessa batida, eu tentando transpor a muralha da china. E ela cada vez erguendo mais um tijolo de defesa atrás de conversas comuns...
Nada me irritava mais do que quando o paciente começava descrever cada detalhe de cada fato de cada dia da semana.
A alguns anos eu tive um paciente, que era um corretor de sucessos, Dick passou 45 mim me falando de debrêntures e títulos imobiliários, me senti de volta ao ensino médio em uma desesperadora aula de matemática. Eu respirava fundo e fazia o máximo de esforço para prestar atenção, geralmente era em vão, minha mente acabava em alguma espécie de desenho animado,, com um cachorro cantor.
Quando o paciente me chamava a realidade estrelava meu mais intenso olhar terapêutico e me salvava com um típico jargão proficional... “eu estava me perguntando, por que você abordou isso, e porque agora..”
Desta vez meu jargão não funcionou, os olhos dela brilharam com uma astúcia infantil..
-- Você está me escutando, Lara...
Eu quase vibrei, era a primeira vez que ela me contestava, era a primeira vez que ela me encarava, era a primeira vez que ela falava realmente comigo...
-- Não, você me pegou Anna, eu estava longe...
--A onde??
Achei que não seria nada construtivo falar do meu cachorro cantor..
-- Eu prometo que volto a isso, mas agora pensando Anna, o que me fez dispersar, você pode me ajudar nisso??
-- A analista aqui é você!
Não me contive e sorri, foi um sorriso prazeroso, lembrei imediatamente de Freud, quando após uma interpretação brilhante, acendia um charuto e oferecia outro ao seu paciente.
Eu não tinha charutos, apenas algumas balas diets na bolsa, mas oferecer bala para uma anorexica, ela com certeza sairia correndo...
--É justo.
-- Então vamos lá, eu lembro que comecei a me entediar quando você começou a descrever cada passo da sua aula de física.
Os olhos dela estavam acesos, eu havia atraído sua atenção... algo estava mudando...
--E por que você acha que eu fiz isso...
Ela estava invertendo os papeis, resolvi entrar no jogo, afinal era melhor que um monologo...
Levantei da minha cadeira e propus trocarmos de lugar... ela aceitou deliciada... estávamos finalmente juntas...
-- Você não vai escapar da minha pergunta...
-- Você acha que eu quero isso??
-- A não, quem faz as perguntas hoje sou eu,, disse ela com risinho sapeca...ela estava se divertindo tanto quanto eu.
-- Ok dra, eu acho que você fez isso para ver até onde eu esperaria, para me forçar a te fazer mudar de assunto.
-- Continue, estou ouvindo. Ela me remedava com talento...
Era a primeira vez que eu passava por isso,, hilário.
Aquela sessão foi um divisor de águas, nas semanas seguintes parecia que eu estava atendendo outra pessoa...
-- E quanto eu te devo doutora Anna...
--È serio?
- O que quizer...
Eu me arrependeria...
- Sua pulseira.
A pulseira de que eu tinha ganhado a 10 anos do meu pai.. .palavra é palavra e como diria minha avó “quem fala de mais da bom dia a cavalos”...
Com todo o pesar do mundo tirei a pulseira e coloquei em seu pulso, enquanto ela esboçava um largo sorriso...
--È dra, nossa sessão hoje foi produtiva...
Engraçadinha..
Consultando o relógio e vestindo o sorriso mais terapêutico que possuía, Lara levantasse e vai buscar sua nova paciente...
Está na hora de conhecer Daniely.
July Reader
Ao anjo mais belo apenas um grito de adeus
Já joguei ao vento palavras inúteis, já esfreguei em tua face palavras duras feito concreto, tão amargas como gim, palavras cortantes que embriagam como a minha dor, uma dor tão imensa que já não se contém em si.
Agora quero te oferecer palavras leves, bobas como toda sabedoria de um século comercial.
Quero a vida leve e lenta, como um chá no fim de tarde, ou um comercial no campo com cachorros latindo e crianças brincando aos últimos sorrisos do sol.
Quero apenas a calma de quem entendeu que o único sentido da vida é a amplitude de perguntas e ausência das respostas.
Quero ser como a luz do sol, a primeira do dia, que ousa irromper as trevas da noite.
Quero apenas espaço, uma folha em branco onde eu possa começar a existir.
Não, não quero sangue! Não quero mais a vida trancada dentro de mim!
Quero sorrir um sorriso calmo, humano, o sorriso de uma modelo indigente que perdeu o medo de se perder.
Um sorriso merecidamente humano, de uma humana em demasia, cujo único mérito foi aprender que mesmo os anjos mais belos podem estar perdidos a ponto de engessar nossas asas para que com eles permaneçamos no porto seguro de uma vida infeliz.
Um dia eu amei um anjo, amei a ponto de destroncar minhas asas, e com o sangue de uma dor que não sentia construir com adorno à ele um altar em mim.
Me sujava as asas saber o mal que esse anjo fazia a mim, que seu amor tão grande era lamina perene rente a minha carne infantil., amor que me nutria tanto a ponto de me destruir, amor que me deixava anêmica a ponto de não mais voar, não mais existir.
Hoje minhas asas doem, o céu da vida é quente como um dia de sol, e quando olho o outrora porto seguro vejo ainda o belo anjo, parado, engessado, blasfemando e orando ao mesmo Deus.
Em meus vôos agridoces aprendi belas e ambivalentes lições, talvez a mais doce e cortante é que amor nem sempre é sinônimo de encontro, que é preciso alçar meus próprios vôos pra longe, bem longe das asas do mais mortal e bonito anjo que conheci
De tanto amar esse anjo entendi que não posso tocar-lhe as asas, pois o mesmo amor que nutre, machuca, destrói, é fatal.
Agora quero te oferecer palavras leves, bobas como toda sabedoria de um século comercial.
Quero a vida leve e lenta, como um chá no fim de tarde, ou um comercial no campo com cachorros latindo e crianças brincando aos últimos sorrisos do sol.
Quero apenas a calma de quem entendeu que o único sentido da vida é a amplitude de perguntas e ausência das respostas.
Quero ser como a luz do sol, a primeira do dia, que ousa irromper as trevas da noite.
Quero apenas espaço, uma folha em branco onde eu possa começar a existir.
Não, não quero sangue! Não quero mais a vida trancada dentro de mim!
Quero sorrir um sorriso calmo, humano, o sorriso de uma modelo indigente que perdeu o medo de se perder.
Um sorriso merecidamente humano, de uma humana em demasia, cujo único mérito foi aprender que mesmo os anjos mais belos podem estar perdidos a ponto de engessar nossas asas para que com eles permaneçamos no porto seguro de uma vida infeliz.
Um dia eu amei um anjo, amei a ponto de destroncar minhas asas, e com o sangue de uma dor que não sentia construir com adorno à ele um altar em mim.
Me sujava as asas saber o mal que esse anjo fazia a mim, que seu amor tão grande era lamina perene rente a minha carne infantil., amor que me nutria tanto a ponto de me destruir, amor que me deixava anêmica a ponto de não mais voar, não mais existir.
Hoje minhas asas doem, o céu da vida é quente como um dia de sol, e quando olho o outrora porto seguro vejo ainda o belo anjo, parado, engessado, blasfemando e orando ao mesmo Deus.
Em meus vôos agridoces aprendi belas e ambivalentes lições, talvez a mais doce e cortante é que amor nem sempre é sinônimo de encontro, que é preciso alçar meus próprios vôos pra longe, bem longe das asas do mais mortal e bonito anjo que conheci
De tanto amar esse anjo entendi que não posso tocar-lhe as asas, pois o mesmo amor que nutre, machuca, destrói, é fatal.
Agora preciso curar minhas asas e entender a dor e a delicia de quem por si mesma já pode aprender a voar.
July Reader
Sakineh
Volto a saudar os anjos.
Mais uma vês Senhores, peço-lhes atenção.!
Mais uma vez brindemo:.
Tim Tim A Sakineh.!!!
Outrora bradei berros de angustia rouca por Darkedi, agora já sem lágrimas nos olhos venho oferecer a única arma que ainda me resta, minha palavra de ira mansa; salvem Sakineh.
Mais uma flor á ser ceifada no Irã, mais uma vida que cometeu o único crime imperdoável naquele país. O crime de ser mulher.
Sakineh foi acusada de adultério, e de participação na morte do marido. Acusações tão bem provadas quanto a existência de papai Noel.
Julgada por um governo hipócrita, a bela madona emoldurada em seu véu negro, talvez não tão negro quanto o destino que lhe aguarda, Sarkineh foi “confessada” na internet, onde com a mesma verdade dos corpos torturados ante o seu verdugo, jurou em figa sua participação.
Como uma rosa sem pétalas, como um ventre sem vida, como algo qualquer, o belo anjo pode, a qualquer momento, receber a mais cruel das execuções, ser apedrejada até que sua vida se exígua.
Como se já não bastassem às marcas que a vida lhe deu.
Recordo-lhes, Senhores, ela já nasceu condenada a ser mulher no Irã.
Como um anjo sem asas de quem a vós já se foi a muito, se é que um dia existiu, Sarkineh aguarda pelas pedras ou pela forca, jogada como um bicho, jogada em uma cela qualquer.
Acalma-te meu anjo, recolhe-te em novenas e ora.
Nessa barbárie tanta, até Alá fechou os olhos, pois já não reconhece parte sua nessa horrenda raça humana.
Acalma-te meu anjo, você já não tem vós, mas agora o mundo clama por você:
SALVEM SAKINEH
Mais uma vês Senhores, peço-lhes atenção.!
Mais uma vez brindemo:.
Tim Tim A Sakineh.!!!
Outrora bradei berros de angustia rouca por Darkedi, agora já sem lágrimas nos olhos venho oferecer a única arma que ainda me resta, minha palavra de ira mansa; salvem Sakineh.
Mais uma flor á ser ceifada no Irã, mais uma vida que cometeu o único crime imperdoável naquele país. O crime de ser mulher.
Sakineh foi acusada de adultério, e de participação na morte do marido. Acusações tão bem provadas quanto a existência de papai Noel.
Julgada por um governo hipócrita, a bela madona emoldurada em seu véu negro, talvez não tão negro quanto o destino que lhe aguarda, Sarkineh foi “confessada” na internet, onde com a mesma verdade dos corpos torturados ante o seu verdugo, jurou em figa sua participação.
Como uma rosa sem pétalas, como um ventre sem vida, como algo qualquer, o belo anjo pode, a qualquer momento, receber a mais cruel das execuções, ser apedrejada até que sua vida se exígua.
Como se já não bastassem às marcas que a vida lhe deu.
Recordo-lhes, Senhores, ela já nasceu condenada a ser mulher no Irã.
Como um anjo sem asas de quem a vós já se foi a muito, se é que um dia existiu, Sarkineh aguarda pelas pedras ou pela forca, jogada como um bicho, jogada em uma cela qualquer.
Acalma-te meu anjo, recolhe-te em novenas e ora.
Nessa barbárie tanta, até Alá fechou os olhos, pois já não reconhece parte sua nessa horrenda raça humana.
Acalma-te meu anjo, você já não tem vós, mas agora o mundo clama por você:
SALVEM SAKINEH
July Reader
A Mim.... Tão Distante
Ola,, eu mesma,, Como Você está???
Venho através desta expressar todo o meu desapontamento e rancor.
Sei que é muito mal educado da minha parte, visto que é a primeira vez que te escrevo, mas desde já quero preveni-la que esqueci a delicadeza em casa.
Toda sutileza e educação, eu devo ter deixado, vejamos, na mesma mesa desarrumada em que você perdeu seus sonhos.
Ora, você que se diz poeta, e enterrou sem o menor remorso sua criança ainda viva.
Ora sra poeta, onde estão suas cores, tinta,lenço e papel.
Não queria chegar as vias de fato, Júlia mas gostaria de dizer que a sua repetição me cansa, seu crime é pequeno e por isso mesmo sem perdão.
Gostaria de esbofetear sua face, cortar seus pulsos, ver-te sangrar.
Sangrar cada sonho que você me roubou, cada lagrima que você não verteu, cada gesto subtraido de mim, quero dizer de você.
Julia, tenho uma vida inteira para te cobrar. Desde o meu primeiro cachorro que você deu, mas te olhando nos olhos, vejo um q de inocencia.
Isso mesmo sua boboca, vejo em ti um que de redenção.
Meu coração sempre mole...
Ta, ta... tenho umas a te agradecer.
Obrigada por cada marca, cada cicatriz.
Obrigada por cada eu te amo ridiculo que você não se poupou a dizer...
Afinal criança minha, todos sabem que o amor é ridiculo, ridiculo todo aquele que ama.
Mas apenas ridiculo, pois o que não tem perdão é a falta de amor.
Obrigada tambem por todos os abraços em arvores, por todo o sexo profano, por cada dor que você ja sorveu.
È serio, sem você eu não seria.
Quero te bater ,,, quero te abraçar... te sangrar e te curar.
Obrigada por cada cacetada, por cada cagada adubo da vida...
Agora, vamos desenterrar a criança, as tintas e cores.
Traçar umas linhas ,,, até alguns amores...
Vem minha criança... ainda te ensino a sorrir.
Venho através desta expressar todo o meu desapontamento e rancor.
Sei que é muito mal educado da minha parte, visto que é a primeira vez que te escrevo, mas desde já quero preveni-la que esqueci a delicadeza em casa.
Toda sutileza e educação, eu devo ter deixado, vejamos, na mesma mesa desarrumada em que você perdeu seus sonhos.
Ora, você que se diz poeta, e enterrou sem o menor remorso sua criança ainda viva.
Ora sra poeta, onde estão suas cores, tinta,lenço e papel.
Não queria chegar as vias de fato, Júlia mas gostaria de dizer que a sua repetição me cansa, seu crime é pequeno e por isso mesmo sem perdão.
Gostaria de esbofetear sua face, cortar seus pulsos, ver-te sangrar.
Sangrar cada sonho que você me roubou, cada lagrima que você não verteu, cada gesto subtraido de mim, quero dizer de você.
Julia, tenho uma vida inteira para te cobrar. Desde o meu primeiro cachorro que você deu, mas te olhando nos olhos, vejo um q de inocencia.
Isso mesmo sua boboca, vejo em ti um que de redenção.
Meu coração sempre mole...
Ta, ta... tenho umas a te agradecer.
Obrigada por cada marca, cada cicatriz.
Obrigada por cada eu te amo ridiculo que você não se poupou a dizer...
Afinal criança minha, todos sabem que o amor é ridiculo, ridiculo todo aquele que ama.
Mas apenas ridiculo, pois o que não tem perdão é a falta de amor.
Obrigada tambem por todos os abraços em arvores, por todo o sexo profano, por cada dor que você ja sorveu.
È serio, sem você eu não seria.
Quero te bater ,,, quero te abraçar... te sangrar e te curar.
Obrigada por cada cacetada, por cada cagada adubo da vida...
Agora, vamos desenterrar a criança, as tintas e cores.
Traçar umas linhas ,,, até alguns amores...
Vem minha criança... ainda te ensino a sorrir.
Avesso Pelo Contrario
Poemas, se calem!
Não quero pensar...
Vocês barrulhentos de tanto falar.
Hora vejam, ao poeta respeito, eu vos criei, mas parece o contrario...
Poemas... Poemas...
Caducos, ransinsas...
Assassinos, arruaceiros...
Me tiram da calida morte, me levam ao caus e horror.,..
Hora vocês vejam só, criador e criatura num beijo, sussurro jocoso, imundo prazer, amante sangrando, um peito em chamas,...
criança perdida na sombra da dor...
Conseguirei, meus pequenos, rima-los com amor???
Não quero pensar...
Vocês barrulhentos de tanto falar.
Hora vejam, ao poeta respeito, eu vos criei, mas parece o contrario...
Poemas... Poemas...
Caducos, ransinsas...
Assassinos, arruaceiros...
Me tiram da calida morte, me levam ao caus e horror.,..
Hora vocês vejam só, criador e criatura num beijo, sussurro jocoso, imundo prazer, amante sangrando, um peito em chamas,...
criança perdida na sombra da dor...
Conseguirei, meus pequenos, rima-los com amor???
Cinco minutos com você
Cinco minutos, ínfima noção de um tempo sem fim.
Quanta diferença em uma vida, quanta diferença faria pra mim.
Cinco minutos com você pai; e uma simples pergunta há de nascer;
O que de tão grave fiz eu? Pra não merecer seu querer.
Toda sujeira em minha alma
Toda dor de um lamento sem fim.
Quando eu pequena ainda era, sonhava com seu colo, com o dia que o normal voltaria, e eu te teria de novo pra mim.
E assim fui crescendo sem graça, uma pergunta inquieta brotava em meu ser:
Se aquele que me fez, me rejeita:
Alguma esperança ainda resta pra mim?
July Reader
Poemas ao vento...Memorias e tempo
Uma poetisa canta ao tempo e vento...
Poemas duros como rocha, poemas que ferem meu rosto e se perdem no chão
Poemas que me lembram toda inutilidade de uma vida
Da minha vida!!
Mas ah poeta, seu choro é lindo...
Choro por mim e por cada heterônimo, cada parte que já decompus e que morreu...
A parte q sonhava, a parte que sorria
Vivo num vale de angustia
Sem lagrimas, sem braços, sem vida.
A forma mais triste de morte é aquela em que o defunto ainda respira!!!
July Reader
July Reader
Ode a um anjo. Memórias de uma vida que nunca existiu

Senhores, eu vos trago a luz e um pouco de trevas também!
Senhores, olhem para mim...
Carbono, osso, sangue e sonhos.
Senhores vejam! Aqui jás o pior e o melhor de mim, e esse melhor, o maior e único tesouro inexoravelmente meu, vos dou, quase de graça.
Ora vejam, meu pulso esta cortado, das minhas veias verte vida, mesmo fazendo a inevitável marcha da morte, a vida se derrama em mim.
Ora senhores, Parem!
Por um instante parem; ousam meu choro manso, deleitem-se em meu riso insano e agora brindem comigo.
Eu brindo ao caos, e a santa hipocrisia.
Tim Tim à Darked uma flor morreu no Irã...
uma linda flor enforcada pelo governo religioso do pais..
Um lindo Lírio arrancado do jardim da vida quando ia florecer...
Um Frágil cristal, que transformou sua pequena vida em arte, antes de morrer;Sim, um cristal, que enfrentou com galhardia, com a coragem reservada aos grandes, os horrores da prisão;
Alguém que como nós, conviveu dia após dia com a certeza da morte, com a única diferença que a morte dela tinha dia e hora marcados.
Alguém que soube ser humana na excencia, que cortou os pulsos, como único ato de rebeldia de sua efêmera existência
.Uma menina que nem teve a chance de se descobrir mulher, que nem teve a chance de se descobrir....
Alguém que nasceu sob um regime hipócrita, que usa o nome de Deus para justificar o horror...
Um jasmim que já nasceu obedecendo os pais, que qando tentou fazer a única escolha da vida (o dia de sua morte) foi salva pelo mesmo governo que a enforcou.
Hora Darked, sua abusada! Como você ousa cortar os pulsos, como você se atreve a atentar contra a vida, presente sagrado de Alá;
Ora Darked, deixe de ser mal educada, pare com essa loucura de liberdade afinal, seu pai decidiu quando você podia nascer e o governo decidiu quando você podia morrer.
Sei que a história desse anjo não é nova, sei que Darked deixou a vida em 2006;
Porém a história deve aclamar os mártires....
Ela não comandou exercitos, ela não mudou o mundo, ela não tocou no roking rio,
ela pintou... pintou sua dor seu desespero sua solidão...
Com tinta e sonho, pinceis e lagrimas, a rosa pura pintou a ausência, na solidão de sua cela ela delineou os traços de uma vida interrompida, de uma vida que ela não teve direito de viver...
Darked teve esperança e esperou, tentou se libertar e por fim se resgnou.
Caminhou para a morte, cálida e calada.
Se ela dormiu aquela noite
se teve medo ou se sentiu sozinha
Se conhou com os braços da mãe
Se entendeu o sentido da vida
Se compreendeu pelo menos o porque de estar ali; Não sei, ela não pode dizer!
O que darked seria se tivesse tido a chance?Medica; escritora, poeta, professora?
Teriam suas telas ganhado o mundo?
Teria ela sido aplaudida de pé por rainhas e reis??
È provável que não!
Possivelmente ela teria saído do julgo do pai para o julgo do marido; e continuaria tendo um sonho assassinado por dia.
Afinal, não estamos na novela da Globo, onde a Jadi encontra o Lucas, ou que a Maia é resgatada pelo Raje.
Estamos na vida real, vivendo o drama nosso de cada dia.
Mas porque escrevo então?
Se não tenho a chance de acabar com a pena de morte no mundo
Se essas mal traçadas nunca vão chegar aos olhos dos Aiatolas, se nem os gritos do mundo inteiro, nem a ONU afastaram a corda do pescoço de Darked.
Se todos os dias anjos bons ou maus são executados pelo mundo.Anjos bons, anjos maus.
Existe bem e mal??
E nós, somos bem ou mal,, ou vivemos sob a ambígua luta diária em nosso idiossincrático campo de batalhas mental !!!
Porque, Senhores, porque???Porque fazer barulho, causar tanto mal estar?
Porque jogar em vossos colos palvras tão amargas, cheias de sangue e dor???
A verdade é que não tenho essa resposta, o legado que me foi dado foi morada permanente no reino das perguntas.
E quem sabe em alguma das voltas do mundo, encontremos uma solução, Não divina, que não seja imposta pelo poder, nem de guerra em prol da paz;
que seja apenas humana!.... imperfeita, mutável, mas humana em demasia...
Más enquanto ela não chega, eu escrevo pra chorar, pra chorar por alguém que eu nem conheci, más cuja história poderia ter sido a minha e a sua...
Escrevo como um abraço; um abraço para uma criança que da vida só viu o lado podre e pela janela.
Escrevo para você Darked, cuja vida foi tão curta, para te dar o único consolo que a história pode dar aos grandes, a memória!Escrevo para dizer que NUNCA VOU TE ESQUECER!
July Reader
Espaço
O PODER VULNERANTE DAS PALAVRAS É MAIS AFIADO DO QUE QUALQUER CORTE.
AS VEZES EU GOSTARIA DE TER O PODER DE MANDAR CALAR TODAS AS VOSES DENTRO DA MINHA CABEÇA, E OUVIR MINHA PRÓPRIA VÓS,
PORÉM DITADUA INTERNA ATÉ EU SERIA CONTRA
!EU, eu EU??? GOSTARIA DE SABER O QUE SIGINIFICA ISSO.
MEU CÉREBRO É COMO UM HD DESORGANIZADO, ONDE SENTIMENTOS E FOTOS SE PERDEM EM PASTAS OCULTAS.NO DISCO RÍGIDO DO MEU INCONCIENTE,
TANTAS MEMORIAS FRAGMENTADAS, QUE EU ME PERDI DE MIM.
RESQUICIOS DE ROSAS, PRESENÇA ESMAGADORA DA AUSENCIA TUA!
ORA CALEM A BOCA, DEMOCRACIA DE SENTIMENTOS DA NISSO AI, UM CORPO CALADO, GARGANTA EM GREVE, FALTA DE UM LIDER, BAGUNÇA GERAL!
MEUS HETERONIMOS JÁ SE DIZEM HOMONIMOS, SOU TANTOS EUS QUE NÃO CAIBO MAIS EM MIM!!!
ESPAÇO PARA EXISTIR, EIS O CANTINHO QUE BUSCO, ABRIR UMA BRECHA MINHA DENTRO DE MIM.
Jú Reader
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